Alicia Bessette – Uma pitada de amor

Uma pitada de amor

Uma pitada de amor
Alicia Bessette
Editora Benvirá, 2015
320 páginas

Saraiva

Rose-Ellen “Zell” Carmichael não cozinha, mas todos os dias ela veste o avental camuflado de seu falecido marido, Nick. Esse é seu “estilo viúva”. Já faz mais de um ano que Nick morreu durante uma missão humanitária em Nova Orleans, mas Zell não consegue seguir em frente. Porém, após receber uma correspondência errada, ela descobre um concurso de culinária que poderá lhe dar a oportunidade de realizar o último desejo do marido: doar vinte mil dólares para as vítimas do Furacão Katrina. Mas, depois que sua primeira tentativa de criar a sobremesa vencedora fracassa, conhece Ingrid Knox – uma esperta menina de nove anos – , e as duas criarão um laço que mudará suas vidas para sempre.

Alicia Bessette é esposa de Matthew Quick, autor de O lado bom da vida; Uma Pitada de Amor é seu primeiro romance, publicado no Brasil pela Editora Saraiva, sob o selo Benvirá. Nele, conhecemos a história de Rose-Ellen Carmichael – ou apenas Zell – que perdeu seu marido enquanto ele estava em uma missão humanitária para ajudar a reconstruir a vida dos moradores de Nova Orleans após o furacão Katrina. Nick estava prestes a voltar pra casa quando tudo aconteceu. Já se passou mais de um ano e Zell ainda não consegue olhar ou manter uma conversa com as pessoas que estavam junto com seu marido na viagem. Como ilustradora médica, Zell passa os dias com roupas folgadas, sem sutiã e, mesmo sem saber cozinhar, usa frequentemente o avental de Nick. Como ela mesma diz, esse é seu estilo viúva.

Mesmo evitando ao máximo o contato das pessoas, ela acaba conhecendo Garrett, seu novo e atraente vizinho, e Ingrid, sua adorável filha de nove anos. Consequentemente, acaba conhecendo Polly Pinch, ídolo da menina e a maior celebridade da culinária na TV. Quando Zell soube que o programa de Polly, Pitada de Amor, estava fazendo um concurso de sobremesas, e que o prêmio seria vinte mil dólares (o valor que Nick queria para ajudar Nova Orleans), ela se meteu na cozinha, com a ajuda de Ingrid, para criar algo realmente incrível. Uma criança de nove anos e uma mulher que não cozinha. Será que elas vão conseguir?

Uma pitada de amor

O tema do livro mescla, entre outras questões, perda, luto, culinária e superação. Parece que esses assuntos não tem relação entre si – em especial a culinária – , mas é justamente o contrário. A autora acertou na receita ao juntar todos esses ingredientes, e o romance é gostoso de ler – embora muitas vezes tenha achado cansativo, pois Zell é aquela personagem que não quer largar do marido para seguir em frente. A narrativa também transcorre de uma forma bem dinâmica: descobrimos como tudo aconteceu através de pequenos fragmentos de conversas, e-mails antigos de Nick e relatos dos amigos. Isso deu um movimento necessário ao romance, que seria maçante de outra forma.

O que me incomodou um pouco nesse livro foram coisas que, ao meu ver, não fecharam ou encaixaram muito bem. São pequenos pedaços da história que não foram muito bem explicados, ficaram perdidos ou que achei desinteressantes para a narrativa. Nesses momentos, me pareceu que a história não andava, o que tornou minha leitura um pouco cansativa. Além do mais, teve um acontecimento que ficou em aberto no final, e que realmente me aborreceu. Não é algo que tenha feito uma grande diferença no enredo, mas é algo que a protagonista esteve esperando e, no final, não aconteceu. Ou seja: foi dada esperança ao leitor, e depois tudo ficou em aberto. Me senti aborrecida com isso.

Porém, esse é um livro gostoso de ler em vários aspectos. Ingrid é uma personagem super fofa, e é bom ver a forma como Zell vai superando, aos poucos e devagar, a morte do marido – principalmente com a ajuda amigável a atenciosa de Garrett. A junção disso tudo com a culinária é muito agradável – quase inesperadamente agradável. Se você se interessa pelo tema central do livro, não deixe de ler. Porém, guarde suas expectativas e leia despretensiosamente, e dessa forma o livro pode te agradar de uma forma branda e envolvente.

12/05/2015

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6 comentários

  1. Responder

    Jessica M

    11/05/2015

    Jura que ela é esposa do Matthew Quick?! [omg] Que legal!
    Eu gosto de livros que tem como tema a culinária, geralmente são bem interessantes para mim!
    Mas dá uma pena quando o livro está bom e tem esses trechos meio desconexos com a história, né?
    Beijos!

    • Responder

      Gabi Orlandin

      12/05/2015

      Juro! Hahaha!
      Sim, foi uma pena mesmo, porque o livro é tão bom. Não sei, não conseguiu me cativar por completo.
      Beijos.

  2. Responder

    Erissandra

    11/05/2015

    Quando vi a capa pensei: Que delicia rsrsr
    Eu gosto muito de livros de falem de superação
    mas fico irritada quando o livro deixa coisas perdidas no ar
    já li um livro assim e eu fiquei simplesmente irritadíssima

    http://amolivroscomcafe.blogspot.com.br/

    • Responder

      Gabi Orlandin

      15/05/2015

      É, confesso que dá um pouco de raiva, sim. Sou ainda meio avessa a livros sem finais bem definidos, então eu fiquei chateada que um acontecimento não teve um fechamento definitivo. Mas, de modo geral, é um bom livro.
      Beijos.

  3. Responder

    Beatriz Cavalcante

    13/05/2015

    Geeente que legal ver um casal de escritores. <333

    Matthew Quick é um dos meus preferidos mas pelo jeito a esposa não é tão boa assim, né? 😡
    Eu vi esse livro na livraria outro dia e achei a capa incrível mas pensava que era livro de receita ou de biscoitos. Vi que não estou tão enganada assim, haha. Acho que nunca li nenhum livro que falasse de culinária e coisas do tipo e achei bem interessante. Espero algum dia poder ler. *o*

    Beijos!

    • Responder

      Gabi Orlandin

      15/05/2015

      Sim Bia! Também acho lindo quando vejo isso (tipo a Carolina Munhóz e o Raphael Draccon <333)
      O livro não é tão focado na culinária, Bia. Ele usa a culinária como ajuda pra personagem sair do estado em que ela se encontra (ou seja, da fossa, hahaha!).
      Beijinhos.

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