Corey Ann Haydu – Uma história de amor e TOC

Resenha do livro Uma história de amor e TOC

Uma história de amor e TOC
Corey Ann Haydu
Editora Galera Record, 2015
320 páginas

Saraiva

Bea foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo. De uns tempos pra cá, desenvolveu algumas manias que podem se tornar bem graves quando se trata de… garotos! Ela jura que está melhorando, que está tudo sob controle. Até começar a se apaixonar por Beck, um menino que também tem TOC. Enquanto ele lava as mãos oito vezes depois de beijá-la, ela persegue outro cara nos intervalos dos encontros. Mas eles sabem que são a única esperança um do outro. Afinal, se existem tantos casais complicados por aí, por que as coisas não dariam certo para um casal obsessivo-compulsivo? No fundo, esta é só mais uma história de amor… e TOC.

Este livro conquista pela capa, concordam? E pelo título também. Essas foram as duas primeiras coisas que me chamaram a atenção. A terceira coisa foi a sinopse. Eu me apaixono por personagens reais, com problemas reais e que vivem em mundos reais (também gosto bastante dos fantasiosos, mas isso fica para outro momento!). E, sério: quem não fica empolgadíssimo com essa sinopse? O fato é que comecei a leitura com expectativas altas demais e, de certa forma, elas não foram alcançadas.

A autora Corey Ann Haydu conta a história de dois jovens que sofrem de diferentes tipos de TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo. Bea tem um tipo de compulsão que envolve perseguir garotos e saber tudo sobre suas vidas. Porque, se ela não fizer isso, se ela não conferir que está tudo bem, algo de terrível pode acontecer. Além disso, ela tem um medo absurdo de machucar as pessoas. Por exemplo, ela dirige a 25 quilômetros por hora porque pode atropelar alguém com seu carro. E, se ela ver alguém na calçada, precisa dar meia volta (mais de uma vez) pra ver se não atropelou mesmo. Bea também relata vários pequenos detalhes do seu dia a dia, como não conseguir segurar a verdade dentro de si (por pior que ela seja) e beliscar a coxa para amenizar os sintomas da ansiedade (coisa que lhe rende um hematoma). Por outro lado, Beck tem compulsão por limpeza e lava as mãos oito vezes. Na verdade, ele faz tudo em ciclos de oito; nem sete nem nove. Oito. E pode passar muitas e muitas horas na academia.

“Podemos ser loucos, mas existe uma lógica por trás até mesmo das coisas mais loucas que fazemos.”

Resenha do livro Uma história de amor e TOC

Resenha do livro Uma história de amor e TOC

Bea e Beck frequentam a mesma terapeuta. Uma carona aqui, um favor retribuído ali e logo eles já estão envolvidos. Porém, enquanto Beck conta os seus encontros nada românticos e muito atrapalhados com Bea (no objetivo de chegar ao oitavo, é claro!), ela está cruzando uma cidade para observar o prédio de Austin, o cara que ela nem conhece, mas por quem tem uma obsessão. Ela precisa ficar de olho sempre: se ela não souber onde ele está ou o que está fazendo, algo pode dar tragicamente errado.

“Acho que para algumas meninas se apaixonar é uma espécie de fraqueza, uma vontade de desistir de todo o resto. Mas para mim, na minha forma e corpo e coração, se apaixonar é o oposto. É a coisa mais forte que já fiz.”

Resenha do livro Uma história de amor e TOC

Se você está procurando uma história de amor, não encontrará neste livro. Ela existe fracamente, mas não é o ponto central da narrativa. Ao passo que a relação instável de Bea e Beck transcorre aos poucos, o leitor acompanha a evolução do transtorno dos personagens, enquanto eles perdem totalmente a noção e chegam ao estágio máximo da doença, e enquanto tentam lutar contra ela. Esse é o ponto forte: o TOC. A relação de Bea e Beck fica meio que de pano de fundo na história.

Apesar disso, narrativa é muito envolvente e os sentimentos de Bea são traduzidos com muitos detalhes ao leitor, ao ponto de eu ter a sensação de que eu mesma tinha TOC. Quando eu largava o livro, ainda ficava com aquela coisa de checar tudo ao meu redor para ver se estava tudo certo. Juro, isso foi bem esquisito! Esse foi o ponto positivo desse livro, mas ainda assim ele não me convenceu. Bea tem uma doença, logo, ela é muito repetitiva, o que dá pra compreender, mas a história da personagem sempre correndo atrás do Austin se torna um tantinho cansativa.

Se você gosta de ler sobre TOC, recomendo esse livro. Só não espere uma história de amor, porque ela é muito sutil e quase inexistente. E talvez foi isso o que me decepcionou: o fato de prometer uma história de amor e não cumprir, de fato. Porém, não é uma leitura que eu não recomendaria. Afinal, é uma história boa, só é melhor não ir com tantas expectativas.

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4 comentários

  1. Responder

    Beatriz Cavalcante

    julho 14, 2015

    Eu também amei a capa, o título e a sinopse e antes mesmo de lançar eu estava ansiosa por isso mas ai quando fui ler não foi tudo aquilo que eu esperava.

    Gostei bastante da história até mas a Bea stalker me irritou bastante. Basicamente a história toda foi em torno do carinha que ela seguia e o amor ficou de lado. Fora que eu já estava quase me sentindo doente também. As partes da terapia me deixava agoniada, hahaha.

    Beijos!

    • Responder

      Gabi Orlandin

      julho 15, 2015

      Oi, Bia!
      Então você sentiu o mesmo que eu com o livro, fora que eu achei meio divertida as partes da terapia. Mas expectativa é uma coisa, né? 🙁
      Beijo.

  2. Responder

    Jéssyka Batista

    julho 14, 2015

    Eu já vi esse livro pra comprar e na hora a grana não deixou :/ Depois, nunca mais achei… Só pela net, mas eu tenho uma coisa chata de sempre querer comprar livros pessoalmente, sei lá. Hahaha! Sua resenha me deixou com mais vontade… :/

    • Responder

      Gabi Orlandin

      julho 15, 2015

      É ótimo comprar livros em livrarias físicas porque você já sai de lá com ele! <3 Também adoro. Mas como sempre acho os meus mais baratos pela internet, acabo fazendo esse esforço hahah!
      Beijo.

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