Daniella Bauer – Morada das lembranças

Morada das lembranças

Morada das lembranças
Daniella Bauer
Editora Biruta, 2014
200 páginas

Saraiva

Através dos olhos de uma menina, o leitor acompanha a trajetória de sua família que, em meio à Revolução Russa de 1917, viu‑se obrigada a deixar para trás tudo o que conhecia e a empreender uma audaciosa e perigosa fuga rumo a um destino totalmente desconhecido. Com novas vidas e identidades, vê-se despertada pelas inúmeras perguntas que permanecem sem resposta. Mas, essa é a chave da morada. Não ter as respostas lhe permite seguir em frente e abrir todas as portas.

Saiba mais detalhes e veja o livro por dentro no site da editora.

Morada das Lembranças se encaixa naquela categoria de livros que lemos com a alma e o coração. A narração da guerra, da fuga, da viagem e da reconstrução da vida dessa família, que foi se decompondo aos poucos, é algo que queremos nos agarrar. Senti-me angustiada pelo sofrimento dos personagens, pelas palavras escolhidas que evocaram um sentimento tão profundo em mim. Agora, quero lhes contar um pouquinho sobre esse livro.

Daniella Bauer estreou de forma espetacular no mundo da literatura com Morada das Lembranças. Esse livro é como um amontoado de lembranças de moradas felizes e tristes, mas que carregam uma vida de recordações. As histórias são contadas pela neta, que toma a voz da avó para falar em primeira pessoa do período em que ela, com a mãe e o irmão pequeno, fugiram de casa após o assassinato do pai durante a Revolução Russa e o massacre aos judeus.

Minhas lembranças, apenas recordações de fatos que marcaram muitas vidas, mais do que poderei contar e até mesmo me lembrar. Milhões morreram sem nem ao menos ter uma chance, vidas foram ceifadas, famílias foram destruídas, sonhos foram mitigados. Assim aconteceu. Mas, como eu, outros sobreviveram também, e as histórias vieram conosco, precisam ser contadas.

A história é como vários de pensamentos que vêm aos montes e se organizam no decorrer da narração, contando ao leitor uma época difícil, mesclando a história da família com detalhes históricos que ocorreram nesse período, desde o momento da fuga até a reconstrução da vida em um país totalmente diferente – o Brasil. Acho que esse livro não se encaixa nas ficções de aventura ou drama, mas é melhor: é como se estivéssemos em frente à nossa avó e ela nos estivesse contando sua história de quando era pequena e teve que fugir de seu país para proteger-se da morte iminente.

Eu sei que pode parecer ingênuo ou mesmo um tanto masoquista de minha parte, mas adoro ler histórias do período da guerra e, tendo uma narração quase poética, esse livro entrou para um dos melhores do gênero. Se não fosse por isso, a leitura já valeria a pena apenas pelas frases bem construídas, comparações sensíveis e detalhes sentimentais das pessoas que viveram nessa época. A escrita é realmente inspiradora. E nem vou comentar sobre a diagramação do livro, que segue o padrão criativo e de bom gosto da editora Biruta.

Morada das lembranças

É difícil resenhar um livro com tamanha profundidade de sentimentos embutido como esse, mas eu espero que tenha conseguido transmitir um pouquinho dele pra vocês. Se tiverem a oportunidade, leiam Morada das Lembranças. E depois me conte o que achou! 😉

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4 comentários

  1. Responder

    Ana

    março 24, 2015

    que capricho de edição!
    Editora biruta sempre arrasando! <3

    • Responder

      Gabi Orlandin

      março 26, 2015

      Sim, nem me surpreendo mais com os livros deles, hahah (só que não, eu sempre me apaixono!).
      Beijos.

  2. Responder

    Fêh Zenatto

    março 29, 2015

    Eu já li Morada das Lembranças e fiquei completamente encantada assim como tu!
    E tive essa mesma sensação de estar ouvindo uma história que minha avó estivesse me contando. Acho lindo quando o autor consegue expressar tantos sentimentos com uma escrita tão linda!

    Beijos.

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    • Responder

      Gabi Orlandin

      março 30, 2015

      Que bom que tu compartilha essas mesmas sensações que eu sobre Morada das Lembranças, Fêh! <3 Bom saber que "não estamos sozinhos" ehehe!
      Beijos.

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