E. L. James – Grey

Resenha do livro Grey

Grey
E. L. James
Editora Intrínseca, 2015
528 páginas

Submarino Saraiva

Christian Grey controla tudo e todos a seu redor: seu mundo é organizado, disciplinado e terrivelmente vazio – até o dia em que Anastasia Steele surge em seu escritório, uma armadilha de pernas torneadas e longos cabelos castanhos. Christian tenta esquecê-la, mas em vez disso acaba envolvido num turbilhão de emoções que não compreende e às quais não consegue resistir. Diferentemente de qualquer mulher que ele já conheceu, a tímida e quieta Ana parece enxergar através de Christian – além do empresário extremamente bem-sucedido, de estilo de vida sofisticado, até o homem de coração frio e ferido. Será que, com Ana, Christian conseguirá dissipar os horrores de sua infância que o assombram todas as noites? Ou seus desejos sexuais obscuros, sua compulsão por controle e a profunda aversão que sente por si mesmo vão afastar a garota e destruir a frágil esperança que ela lhe oferece?

Eu li Cinquenta Tons de Cinza e não detestei. Sempre pareceu, para mim, que há dois grupos de pessoas que leram ou assistiram ao filme: ou os que amaram, ou os que odiaram. Bem, se é assim, me encontro em cima do muro. Pode? Eu não achei que o Grey é o sádico sem coração que falam, porque consigo ver, bem lá no fundo, que ele sente algo pela Anastasia, só que ele ainda não quer reconhecer isso. E esse sentimento fica bem mais evidente em Grey, onde conhecemos a mesma história do primeiro livro da trilogia, porém, pela visão do próprio Christian Grey.

Preciso admitir que me senti um tanto frustrada no começo, pois de tanto falar sobre essa história, ela saturou um pouco, sabe? E então vem este livro e conta a mesma história de novo. E, se você leu, sabe que o Grey, no começo, parece sem coração mesmo! Então, eu já estava sem paciência para a história, mas ela me revelou algumas coisas bem interessantes no decorrer dos capítulos.

Com a história narrada do ponto de vista do Grey, podemos perceber muitas características bem específicas da personalidade dele. Ok, falando bem claramente: ele gosta de machucar as pessoas, pois isso o excita. E tem um motivo: sua mãe foi uma prostituta drogada, e ele ficou até os 4 anos nesse ambiente com muitos homens entrando e saindo da sua casa, com muita violência, drogas, bebidas, fome… bom, deu pra entender. Como já era de se esperar, o menino estava bem transtornado quando foi adotado pela família Grey, e só conseguiu ver uma “luz no fim do túnel” quando conheceu Elena, amiga de sua mãe adotiva, que o introduziu aos seus costumes um tanto quanto peculiares. Então, este livro nos dá uma compreensão melhor dos motivos de ele agir da forma que age – não que eu aprove, claro. Mas também não posso dizer que ele é “culpado”, pelo histórico que tem. Mas bem que poderia ter superado algumas coisas.

O que fica nítido no relacionamento de Ana e Grey é que ele nutre por ela o mesmo sentimento que ela sente por ele: amor. Anastasia não queria, mas acabou se apaixonando por Christian. E ele corresponde a este sentimento ao sentir a falta dela, ao querer integrá-la à sua vida do dia a dia, e não somente ao seu universo de castigos, dor e sexo. Grey fica sem foco e distraído, tanto enquanto está com ela quanto quando ela o deixou, porém, como nunca sentiu isso por ninguém – e porque julga-se incapaz de amar e ser amado – não reconhece esse sentimento estranho que sente dentro do peito. Ele simplesmente não sabe o que é, e ignora, mesmo sofrendo.

A parte mais interessante foi, com certeza, as páginas finais, quando conhecemos o Grey sem a Ana. Quando percebemos que ele sofreu sem ela. Também é muito bacana, para quem leu Cinquenta tons de cinza, perceber como ele fez algumas ações que acontecem na história. Então, se você gostou da trilogia de E. L. James, provavelmente vai ficar com vontade de ler esse livro também. Só que, da mesma forma que os outros livros, eu diria para não ir com muita sede ao pote, pois, por vários motivos este livro pode decepcionar um pouco. Leia sem pretensões e somente para divertir.

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7 comentários

  1. Responder

    Juliana

    05/02/2016

    Não li nenhum dos livros da trilogia, porque não faz muito meu estilo e falta de tempo. Achei interessante esse livro, não sabia que existia. Acredito ser mais legal que os da trilogia normal, rs. Adorei a resenha.

    Beijos!

    • Responder

      Gabi Orlandin

      12/02/2016

      Oi Ju!
      Sinceramente? Se não faz muito o teu estilo e você está sem tempo de ler, leia o que você realmente gosta. Grey não acrescenta realmente nada, entende? É mais uma distração mesmo. E sobre a trilogia, gostei mais do último livro do que de todos os outros dessa série. 🙂
      Beijo!

  2. Responder

    Marina Bartholi

    09/02/2016

    Oi Gabi, tudo bem? Já falei que acho lindo o layout do seu blog [omg]

    Estou lendo esse livro neste exato momento, e posso te confessar que estou realmente gostando dele, o que não foi o caso com os livros contados pela versão da Anastasia, eu os achei muito maçante e cheios de “mimimi”. Este está bem mais escrito, vamos dizer que ele foi direto ao ponto. E concordo com você, eu gostei muito de ver o lado de Grey na história, de saber o porque dele ser do jeito que é e de ter os gostos que têm (nada que justifique), mas ele bem que poderia ter superado algumas coisas mesmo rsrsrs.

    Bjkas 🙂

    • Responder

      Gabi Orlandin

      12/02/2016

      Oi Marina, tudo bem!

      Ai que querida, obrigada! ♥︎

      Falando a verdade, a Ana é muito cheia de mimimi, né? Por isso os livros ficaram chatinhos. Mas de todos os livros da autora, ainda prefiro o último da trilogia, o Cinquenta tons de liberdade. 🙂

      Beijo!

  3. Responder

    Alef Cauê

    09/03/2016

    Eu não li a trilogia de cinquenta tons de cinza, mas assisti o filme (sei que não é a mesma coisa). Eu adorei a tematica e sei que no livro tudo é mais forte e mais apimentado, mas não me interessei pela trilogia, mas isso não acontece com GREY que eu estou super afim de ler e de formar a minha opinião. Adorei o seu blog, já está nos meus favoritos.

    Meu Blog: http://www.umcontainer.com

    • Responder

      Gabi Orlandin

      16/03/2016

      Oi, Alef!
      Grey é a mesma história do primeiro livro de Cinquenta Tons, mas, obviamente, contado pelo personagem Christian Grey. Eu gostei desse livro (tanto quanto consigo curtir essa série) porque ele explica várias coisinhas que tinham ficado mal entendidas na trilogia.
      Obrigada pelo comentário!
      Abraços.

  4. Responder

    Elaine Ap Cardoso

    19/12/2016

    Como aprecio literatura BDSM, fiquei realmente frustrada por isso – não tem NADA de BDSM, só faz referências, e bem “ruins”, um dos exemplos é que JAMAIS um adepto/a do BDSM vai aliciar um/uma menor de idade. Mas como tinha começado a trilogia, li os 3 livros, e agora comprei o quarto só para ver se a versão do Grey – porque a da Ana é por demais dramática. 8)

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